quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

BBB no carnaval

Carnaval! Período de festas em um país subdesenvolvido, que se orgulha de ter na pauta de exportações, a prostituíção inrustida, mascarada por apelos culturais.

Nessa época tão tosca do calendário tupiniquim, tive a oportunidade de vivenciar a convivência com mais 9 pessoas em uma casa, um verdadeiro BBB, lógico que sem a canalhice e explicitez do ócio coletivo, porém com todas as dificuldades que operam o convívio em sociedade.

Para quem não sabe, eu não sou uma das pessoas mais fáceis de se lidar, não ligo muito, mas reconheço que sou extremamente entediante e irritante quando quero, principalmente em épocas onde diferenças culturais me cercam.

Imaginem a configuração da casa: 5 homens, 5 japas (ou quase), como opções de lazer tínhamos, uma piscina fantástica, aparelhagem de som integrada, dvds (capítulo a parte), televisão e o nosso querido videokê. Agora imaginem a situação de um amante do rock e heavy metal, que estudou anos e anos para desenvolver alguma técnica na guitarra, sendo bombardeado 24hrs por dia pelos maiores intérpretes do axé (se é que existe algum), pagode, forró, sertanejo e um tal de Simoninha, que até então eu jurava que era uma mulher.

Esqueçam todos os seus traumas, todas as suas frescuras, nesse período eu não me importei de ser acordado as 8 da manhã com meus flat-mates urrando no videokê, de fato eu até gostava, e soltava a voz sempre que o álcool possuia o meu corpo e dominava a minha mente, o problema era quando estava sóbrio... gente do céu, eu não consigo aguentar mais do que 3 dias com esse tipo de programação musical!

O pior de tudo isso, era rodar todos os canais da televisão e sempre encontrar a mesma programação. Também em país onde Chico Buarque e Caetano Veloso possuem posições de autoridades intelectuais, por que não dedicar uma semana inteira a todos aqueles que fazem da destruição musical seu único objetivo.

Nesse período desenvolvi minhas habilidades de socialização, aprendi a compreender o gosto do coletivo, e me adaptar aos costumes daqueles que me rodeiam. Aprendi também que o melhor jeito de aturar esse tipo de música é fingir que ela não está tocando. De fato eu costumava imaginar outra música na minha cabeça, tarefa essa que era muito mais fácil em meio a conversas e rodadas de chopp.

Valeu a pena? Muito, aprendi que música é o que eu ouço, o que eu ouvi eu ignorei, e me tornei um monge evoluído rss...

até a prox!

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